O abraço

Você me aperta o peito; parece que vou explodir.
 Eu sinto você tão próximo e sei que você pode perceber cada singular batida do meu coração.
Você está tão íntimo a mim, tão grudado em minha pele, que seria impossível me separar de você agora.
Se eu correr, sei que estará me segurando. Se eu pular, estará me protegendo.
Eu sei o quanto está em mim agora, me abraçando fortemente. Tão forte que mal consigo respirar.
Você me envolve de tal maneira que não consigo te esquecer nenhum minuto deste longo dia.
Seu abraço começa a doer em mim agora e o que eu mais quero é me afastar de ti. Procuro desesperadamente uma saída, uma rota de fuga, e encontro.
Encontrei minha única salvação num banheiro da estação de trem e lá tive a certeza de que partirei para qualquer lugar sem você agora.
E me lembrarei que o próximo terá que ser superior a você.

Sim, eu prometo que a partir de hoje, irei comprar um número maior de sutiã.
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Acabou

Acabou. Não era pra ser e eu não aceitava os sinais.
Quase te perdi no passado e você não correspondia às minhas necessidades como eu queria. Mesmo assim eu precisava de você.
Sem você não sou ninguém. Perco o rumo sempre.
Você me fazia me perder às vezes, mas no final eu acabava chegando aonde queria.
Não, não desejo felicidade pra quem te possui agora. Desejo tudo de mal, aliás. Pra quem te roubou de mim então, desejo a morte.
É isso mesmo! Quero que morra o filha da mãe do “nóia” que roubou meu gps…. Justo o gps…

Dominação

Ela abriu o livro mas não passou da primeira página.
Algo a fez perder o interesse, a concentração.
E naquele vai e vem do transporte público, o conteúdo do livro ficava cada vez mais distante.
Sua mente vagava, sua cabeça e seus olhos já não mais a obedeciam.
Esse “algo”, que demorei um pouco pra entender o que era, tomou conta dela.
Dominada, ela concordava, movimentando a cabeça brusca e enfaticamente, quase como num movimento servil.
Era algo que eu não conseguia aceitar. Eu estava muito incomodada, sentada ao seu lado, vendo-a ser submissa daquele jeito…
Então me lembrei que eu mesma já quase tinha cedido como ela certa vez, mas nunca com tanta intensidade.
Eu tive uma vontade incontrolável de dar-lhe um safanão e terminar com aquela agonia.
Quem sabe assim, ela batendo com a testa no apoio do ônibus, acabava com aquela cena patética de dominação.
Nossa, como é difícil controlá-lo.
Ele, o sono…