Dominação

Ela abriu o livro mas não passou da primeira página.
Algo a fez perder o interesse, a concentração.
E naquele vai e vem do transporte público, o conteúdo do livro ficava cada vez mais distante.
Sua mente vagava, sua cabeça e seus olhos já não mais a obedeciam.
Esse “algo”, que demorei um pouco pra entender o que era, tomou conta dela.
Dominada, ela concordava, movimentando a cabeça brusca e enfaticamente, quase como num movimento servil.
Era algo que eu não conseguia aceitar. Eu estava muito incomodada, sentada ao seu lado, vendo-a ser submissa daquele jeito…
Então me lembrei que eu mesma já quase tinha cedido como ela certa vez, mas nunca com tanta intensidade.
Eu tive uma vontade incontrolável de dar-lhe um safanão e terminar com aquela agonia.
Quem sabe assim, ela batendo com a testa no apoio do ônibus, acabava com aquela cena patética de dominação.
Nossa, como é difícil controlá-lo.
Ele, o sono…